✨ PANCs na alimentação cotidiana: o peixinho-da-horta

Nos últimos anos, muito se tem falado sobre PANCs — Plantas Alimentícias Não Convencionais. Apesar do nome parecer distante ou técnico, elas estão muito mais próximas do nosso dia a dia do que imaginamos. Muitas crescem espontaneamente em quintais, hortas, terrenos baldios e até em vasos, carregando uma riqueza nutricional imensa e, muitas vezes, esquecida. Cultivar e consumir PANCs é um gesto simples, mas profundamente ecológico e afetivo: é reconectar o corpo à terra e à diversidade alimentar.

O que são PANCs?

PANCs são plantas comestíveis que não fazem parte do circuito alimentar convencional, mas que sempre foram utilizadas por comunidades tradicionais, povos originários e culturas rurais.
Elas se diferenciam dos alimentos mais comuns do mercado porque:

  • Não são produzidas em larga escala
  • Muitas vezes não aparecem em supermercados
  • Crescem com facilidade e exigem poucos insumos
  • Possuem alto valor nutricional

Ao incluí-las na alimentação, ampliamos o repertório alimentar e diminuímos a dependência de alimentos ultraprocessados.


O peixinho‑da‑horta: uma PANC surpreendente

Entre as PANCs que cultivo e utilizo em casa, o peixinho‑da‑horta ocupa um lugar especial. Apesar de muitas pessoas associarem sua textura à folha de boldo, a semelhança termina aí:

  • não tem cheiro forte
  • a folha é macia, aveludada e delicada
  • quando preparada, ganha textura crocante por fora e macia por dentro
  • o sabor é suave, agradável e acolhedor

É uma planta que transmite algo que gosto de chamar de cheiro de nutrientes — aquela sensação de alimento vivo, fresco e verdadeiro.


Por que se chama peixinho‑da‑horta?

O nome popular surgiu porque, ao ser empanado e preparado, o peixinho‑da‑horta lembra a textura e a crocância de um peixe frito, sendo uma alternativa vegetal muito utilizada por quem busca reduzir o consumo de carnes ou variar a alimentação. Além disso, o formato alongado das folhas também contribui para essa associação.


Principais nutrientes

O peixinho‑da‑horta é nutricionalmente rico e oferece:

  • fibras alimentares
  • cálcio
  • ferro
  • magnésio
  • antioxidantes naturais

Esses nutrientes contribuem para:

  • saúde intestinal
  • fortalecimento ósseo
  • regulação inflamatória
  • suporte ao sistema imunológico

Receita: peixinho‑da‑horta crocante (sem glúten)

Essa é a forma como preparei — simples, nutritiva e muito saborosa.

Ingredientes

  • folhas de peixinho‑da‑horta higienizadas e bem secas (deixe de molho por 15 min em uma solução de água + vinagre)
  • 3 ovos
  • páprica
  • sal
  • alho
  • pimenta‑caiena

Para empanar

  • farinha de grão‑de‑bico
  • polvilho doce
  • sal

(usei cerca de 7 colheres de cada farinha, ajustando conforme necessário)


Modo de preparo

  1. Bata os ovos com sal, páprica, alho e pimenta‑caiena (depende do tamanho das suas folhas e dos ovos, se os ovos forem vermelho e grandes utilize apenas 2).
  2. Misture a farinha de grão‑de‑bico com o polvilho doce e uma pitada de sal.
  3. Passe as folhas no ovo temperado e depois na mistura de farinhas.
  4. Disponha em uma assadeira, cuidando para não sobrepor.
  5. Asse no modo airfryer do forno.

Utilizei uma centrifuga de folhas para deixás-las bem sequinhas, cuidado para não quebrá-las, utilize poucas folhas e faça o processo com delicadeza, você também pode lavar e secar com papel toalha ou um pano de algodão. O importante é: precisam estar secas para dar certo!

⏱️ Tempo:

  • 8 minutos
  • abra o forno, observe
  • deixe mais 2 minutos para atingir maior crocância

Algumas folhas podem grudar na forma e não permitir virar durante o processo, mas o modo airfryer assa por completo ambos os lados, garantindo um resultado final uniforme e crocante.


Rendeu um ótimo lanche da tarde para duas pessoas, fiz duas fornadas, quase não foi possível fazer o registro fotográfico ficaram deliciosas!

Alimentar‑se também é um gesto de afeto

Incluir PANCs na alimentação é uma forma de desacelerar, observar a natureza ao redor e escutar o corpo com mais atenção. Cultivar, preparar e comer o que nasce perto de nós cria uma relação mais consciente com a comida — uma relação que nutre não apenas o corpo, mas também o afeto. 🌱

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